O fim do ‘politicamente correcto’ à vista ?
Boris, como é tratado pelos media ingleses, colecciona gafes e provocações em público. Assume que antipatiza com o politicamente correcto e define-se como sendo “um tipo inteligente que se faz de parvo para ganhar”. A sua vida pessoal está recheada de infidelidades e escândalos, o que incomoda até os seus colegas do Partido Conservador. No entanto foi o escolhido pelo eleitorado.
Há pouco mais de um ano Nicolas Sarkozy, chamou ‘canalhas’ aos grupos de jovens que passavam as noites a incendiar carros às dezenas deixando os subúrbios de Paris em estado de sitio. As suas declarações chocaram o PS francês que prontamente o criticou e o classificou como racista. No entanto foi também o escolhido pelo eleitorado.
Barak Obama, um outsider do establishment político norte americano, pode fazer história como sendo o primeiro negro a presidir os EUA. Na campanha que tem feito nas primárias, aparece sempre à frente de cartazes com a palavra ‘Change’ - Mudança. Contra si, outra candidata do Partido Democrata, corre Hilary Clinton, que poderá ser a primeira mulher a presidir os EUA, mas que representa uma continuidade das receitas do passado. As sondagens dão vantagem a Obama.
Observando todos estes casos, sobresai uma tendência para o eleitorado preferir candidatos que representem algo de novo. O público detesta políticos e está cansado de candidatos previsíveis que, talvez sem se darem conta, tudo o que dizem é já esperado e teoricamente correcto, perdendo assim a espontaneidade de outros que não ousam dizer o que pensam e, mesmo atropelando algumas regras tácitas, mostram sem receio o que são.
Podemos tirar alguma ilação de tudo isto para o nosso país e também para Porto de Mós?
A habilidade específica do político consiste em saber que paixões pode com maior facilidade despertar e como evitar, quando despertas, que sejam nocivas a ele próprio e aos seus aliados. Na política como na moeda há uma lei de Gresham; o homem que visa a objectivos mais nobres será expulso, excepto naqueles raros momentos (principalmente revoluções) em que o idealismo se conjuga com um poderoso movimento de paixão interesseira. Além disso, como os políticos estão divididos em grupos rivais, visam a dividir a nação, a menos que tenham a sorte de a unir na guerra contra outra. Vivem à custa do «ruído e da fúria, que nada significam». Não podem prestar atenção a nada que seja difícil de explicar, nem a nada que não acarrete divisão (seja entre nações ou na frente nacional), nem a nada que reduza o poderio dos políticos como classe.