“Para se amar é preciso primeiro conhecer”
Presidente da Câmara Municipal Porto de Mós – Sr. João Salgueiro na intervenção de assinatura do Protocolo entre a Fundação Batalha de Aljubarrota (FBA) e a Faculdade de Letras de Coimbra, que decorreu em S. Jorge a 15 de Janeiro de 2007.
Pegando nas palavras da Ana Narciso, uma vez mais o Senhor Presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós teve necessidade do “puxão de orelhas” do Poder Central para concluir que finalmente havia necessidade de atalhar caminho, mudar o discurso e se assumir como o primeiro parceiro do projecto de desenvolvimento em curso para o Campo Militar de S.Jorge.
O Sr. Presidente, que durante a Campanha Eleitoral nunca vacilou na sua posição determinada contra qualquer tipo de acordo com o IPPAR ou FBA que não tivesse prevista a redução da área “non aedificandi” e grande parte da Zona Especial de Protecção (ZEP), uma vez mais, com o “conforto” da Sra. Ministra da Cultura lá foi obrigado a dar mais uns passos atrás.
O Sr. Presidente sabe, desde a primeira hora que o acordo entre o IPPAR e a Câmara Municipal de Porto de Mós, com divisão de custos para a elaboração do imprescindível Plano de Salvaguarda de S.Jorge, há muito tempo que tem prevista a redução de parte da Zona Especial de protecção, nomeadamente a Sul da EN 243, como aliás eu próprio já o tinha referido na Assembleia Municipal de Abril de 2006, ao que o Sr. Presidente respondeu que o problema de S.Jorge era bem mais profundo. Também concordo! Afirmou que não poderia ficar associado à morte daquele lugar do Concelho, dando como exemplo a impossibilidade de um dos residentes efectuar obras numa casa de banho sem superior autorização do IPPAR e acompanhamento Técnico por parte de Arqueólogo.
No seu entender a Zona “non aedificandi” proposta era um exagero e só haveria acordo do Município com a sua redução.
Aceito todos estes lamentos. Entendo bem a População e a posição do Sr. Presidente na defesa intransigente de quem nele acreditou e votou. Só que o Presidente da Câmara foi eleito para defender o interesse das Populações e também tudo o que de melhor pode ser trazido para engrandecer o Concelho de Porto de Mós.
Era assim em relação à variante a Porto de Mós, como o é em relação ao Campo Militar de S.Jorge.
Em ambos os casos alguma População do Concelho é directamente afectada, mas aparentemente em ambos os casos as vantagens para o futuro do Concelho são inquestionáveis.
Se em relação à variante o problema está resolvido (não há variante, mas também não há conflito com a População), em S. Jorge as coisas estão a tomar um rumo diferente;
De facto a Fundação, goste-se ou não, tem como sempre teve um projecto que do ponto de vista do Turismo Cultural, é do mais importante que alguma vez ocorreu no nosso País.
Não é por acaso que o Presidente da Fundação, Dr. Alexandre Patrício Gouveia reafirma que São Jorge será nos próximos anos um dos mais importantes destinos de Turismo Cultural do nosso País. Se outra razão não prevalecer, que se olhe para o investimento já feito e em curso no Centro de Interpretação para que tal objectivo se concretize: Cerca de 2 Milhões de Euros no Edifício e um valor superior a 3 Milhões de Euros na mais avançada tecnologia multimédia, com o objectivo de proporcionar aos visitantes momentos marcantes em torno da mais importante Batalha Medieval da nossa História.
Penso que alguém terá dito ao Sr. Presidente que seria bom conhecer este importante projecto. Foi criada uma Comissão Técnica de acompanhamento (Quantas Reuniões já se realizaram?) e dado a conhecer o projecto. O Sr. Presidente passou a amar! E tornou pública a vontade firme do Município em estar incondicionalmente associado à FBA para que em parceria, este projecto tenha o sucesso esperado, porque se assim for, ganhará o Concelho, o Distrito e o País.
Sinceramente gostei de ouvir e gostei também de ouvir que o Protocolo para elaboração do Plano de Pormenor de Salvaguarda de São Jorge vai finalmente ser assinado. E ao que soube quando se concretizar a referida assinatura não haverá qualquer alteração ao Mapa existente. Promessas apenas…
Uma vez mais se perdeu tempo. Muito tempo!
Em 30 de Junho foi apresentado na Assembleia Municipal uma proposta de protocolo por parte da FBA, que foi duramente criticado e rejeitado pelo Executivo porque …”a área Classificada no Campo Militar de S. Jorge e a Zona Especial de Protecção são excessivas e socialmente gravosas para a respectiva População.”
Entretanto foi criada a Comissão, a Sra. Ministra disse da Importância do Projecto e pronto já nada do que foi deliberado é importante.
Viva a coerência!
Pelo menos o Protocolo proposto tinha algumas coisas interessantes.
Espero que o Sr. Presidente tenha agora capacidade para o desenterrar e renegociar com a Fundação, porque esse era um documento que previa que o Município fosse o primeiro parceiro da FBA no Projecto de Desenvolvimento do Campo Militar de São Jorge.
Agora resta apenas que a População de São Jorge (representada neste processo pelo Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Calvaria de Cima) esteja incondicionalmente do lado da FBA e do Município de Porto de Mós. Se assim for é sinal que todos ficaram a conhecer o Projecto, ou seja em condições para finalmente o passarem a AMAR!
Mas uma vez mais se perdeu tempo. Muito tempo!