Está resolvida a questão de uma forma clara : a maioria dos Portugueses que votou, deseja a alteração da legislação. O concelho de Porto de Mós também votou SIM.
Não posso deixar de manifestar, por um lado a minha satisfação e por outro lado a minha preocupação .
Satisfação, porque se resolveu um assunto recorrente em qualquer acto eleitoral : presidenciais, legislativas ou autárquicas; não havia candidato que não fosse bombardeado com a questão da IVG. Verdadeiramente insuportável . Creio que este cansaço foi um factor decisivo para o aumento , ainda que ligeiro , da participação dos Portugueses no acto eleitoral. Satisfação, ainda pelas vidas humanas que esta alteração pode salvar, satisfação também pelos embriões que poderão nascer porque o aconselhamento ajudou a fundamentar melhor decisão da mulher. Sem vergonha, sem crime e sem pena.
Preocupação, porque está tudo por fazer no Serviço Nacional de Saúde. Não sabemos quantos objectores de consciência há , que equipas de acompanhamento vão ser criadas , que outros apoios à maternidade no SNS vão ser implementados . Entre estes dois referendos nada mudou. Perdemos tempo, vidas e recursos .
Por estas e outras razões, parece-me que a verdadeira batalha pela maternidade responsável começa, agora. Eu também vou estar nessa . Há montanhas de iniciativas a desencadear para unir o que aparentemente dividiu os movimentos do SIM e do NãO . O trabalho no terreno vai exigir a concentração e não a dispersão de esforços. Teremos tempo de aferir quem vai lutar, verdadeiramente, pela maternidade responsável e pelos filhos desejados e planeados.
Outro dado a reter ; os vários referendos nunca atingiram - os 50% mais um - de votos expressos, conforme o texto da Constituição exige. Será que é de manter?