Nota Prévia: antes de mais, apresento o meu pedido de desculpas se, de algum modo, for injusto para com a Banda Recreativa Portomosense. No entanto, vou expressar o meu sentimento em relação à entidade como um todo.
Quando era mais novo e, talvez por influência da péssima experiência na educação musical, na Escola Preparatória da vila, via na Banda, uma instituição cinzenta, não só pela farda, e distante, onde a música era algo inacessível, que só servia para procissões e romarias.
Na altura, a ideia de fazer parte desta organização era pouco ou nada apelativa, e a imagem das pautas à frente do instrumento, a passo de tropa, faziam com que a “malta” nem se aproximasse das instalações da antiga cadeia, onde funcionava, à data.
Hoje, consigo avaliar o quão errado estava. Consigo, agora, sentir a sua falta e a ausência de contributo para o meu crescimento pessoal. Questiono-me, por vezes, sobre as verdadeiras razões que, nessa época, repeliam o possível entusiasmo de aprender. Não se trata apenas de aprender música, mas sim de aprender! Face a este estado de interrogação, justifico-me perante a minha ignorância forçada, com base em ideias pré-concebidas, num sistema de ensino artificial, pelo menos nesta matéria, que em nada soube estimular os alunos para estas Artes.
Naturalmente, o enquadramento social e familiar em nada abonou a este favor, apresentando, antes pelo contrário, a sua quota parte de responsabilidade, seja por deficiência na divulgação das artes, talvez nunca vista desta forma, seja por ausência de motivação, ou ainda, por total desconhecimento do seu benefício educacional.
Hoje, aos 35 anos, infelizmente, posso dar-me ao luxo de pagar uma mensalidade para frequentar, com a família, uma instituição, em tudo exemplar, que começou, também, há muitos anos atrás, como Banda Recreativa. Certo é, que a determinada altura soube parar para pensar no seu destino e ver o futuro à sua frente. Passou, então, a designar-se Escola de Artes, que, por sinal, ainda mantém, com muito orgulho e carinho a sua Banda de música. Aqui está o segredo deste sucesso! É necessário oferecer aos seus “Clientes” o ambiente familiar, de modo a motivar e incitar ao “consumo, tão natural como a sua sede”. A estratégia passa pela necessidade de cada um, seja como de um bem de primeira necessidade se trate, seja, apenas, como uma simples ocupação para aprender a ouvir e sentir a música, para nos sentirmos especiais.
Vem isto a propósito, de um comentário anónimo (que deve conhecer a realidade da Banda) aqui no vilaforte, sobre a situação actual da Banda Recreativa Portomosense. Desconhecendo as condições reais e presentes e, realçando, uma vez mais, a eventual possibilidade de injustiça crítica, para com os actuais responsáveis desta organização, deixo no ar algumas questões objectivas que, muito gostaria de ver esclarecidas.
1. Existe alguma estratégia definida para a Banda Recreativa Portomosense?
2. Há objectivos definidos a atingir?
3. Os vários níveis de ensino público, desde a creche ao ensino primário, são contemplados com visitas da Banda, para acções de divulgação e motivação das artes?
4. Esta Banda tem algum relacionamento com organizações culturais do concelho? A título de exemplo, Grupo Coral, Escola de Dança, …
5. Alguma vez terá sido ponderada a hipótese de construir uma Escola de Artes em Porto de Mós?
6. Haverá algum protocolo/parceria com organizações semelhantes no distrito, e porque não a nível nacional? A Europa é mesmo ao virar da esquina, há aqui alguma ligação que nos possa unir para dar a conhecer a “nossa” casa?
7. Que tipo de ligação ou relacionamento existe com as associações de pais e/ou de estudantes?
São apenas algumas linhas que desconheço e ficaria feliz por sabê-las encaminhadas no melhor sentido.
INOVAR, não é domínio único da indústria, deve ser apenas o “modus vivendi” de cada um de nós, com espírito crítico e aberto ao futuro. De nada serve reclamar apenas porque não nos dão o destaque merecido. É tempo de olhar para a frente e deixar os resultados à vista da satisfação de todos para ir sempre mais além.
Como disse, na nota prévia, é tão simplesmente o meu sentir em relação, à Banda Recreativa Portomosense e à experiência que vivo, de há algum tempo a esta parte, numa instituição tão merecedora e com tão pouco reconhecimento. A Sociedade Artística e Musical dos Pousos – SAMP, na sua ESCOLA DE ARTES dá-me o prazer de frequentar aulas de BERÇO, para bebés, aulas de música, com instrumento, já noutro nível, e aulas de canto. É um projecto em tudo diferente desde a concepção até ao método de ensino natural. Aproveito, ainda, tão escassa oportunidade para dar a conhecer um pouco desta escola que, também trabalha na área da musicoterapia, sem esquecer os nossos mais “velhos” pais ou avós, às vezes já esquecidos numa instituição ou em hospitais, por motivos de saúde.
Um abraço,