O Governo criou a última invenção do Sistema Financeiro Português, o PPR Público.
Portugal é um país onde se aceita, e até por vezes se exige, a intervenção do Estado em tudo.
Numa época em que todos sabemos que com alguma probabilidade a Segurança Social não conseguirá pagar as reformas das gerações que agora estão no activo, quis o destino que coubesse a um governo socialista esta ‘inovação’.
Esta solução é apresentada como um plano adicional de descontos a que corresponderá no futuro uma pensão superior, ou seja, um serviço premium. Fora do cenário a que me refiro no parágrafo anterior, estaríamos simplesmente perante mais um caso, bem normal na economia portuguesa, em que o estado faz concorrência às empresas a quem cobra impostos. Mas é mais do que isso. O PPR Público repete o que podemos chamar efeito ‘Correio Azul’. Lembram-se de há muitos anos as cartas do correio, de tarifa nacional única, serem entregues de um dia para o outro? Pois alguns anos mais tarde os CTT, perante um significativo aumento de cartas a distribuir e consequente aumento dos atrasos nas entregas criaram uma solução mais cara para algo que já tinham oferecido no passado e tinham deixado de poder assegurar. Exactamente o mesmo que se está a passar com o PPR Público.
Subscrever este serviço é apoiar a confirmação encapotada da incapacidade de solver responsabilidades futuras e concordar com um estado que concorre deslealmente com os agentes criadores de riqueza no mercado pois guarda para si condições excepcionais. Veja-se aqui alguns dos pontos reclamados pelas companhias de seguros, nomeadamente a exigência de provisões apenas aos privados e a impenhorabilidade do PPR Público.
A liberdade de escolha, expressão tão intensamente invocada quando se comemora o 25 de Abril ou se defende a IVG, quando toca à escolha do sistema de reforma privado ou público, fica na gaveta.