Conhecendo as potencialidades do concelho, é com grande preocupação que vejo a falta de investimento em tecnologia, em conhecimento e em infra-estruturas realmente importantes.
Não consigo perceber que, já existindo um pavilhão desportivo na vila (que não está de certeza 100% ocupado) e um cine teatro, se esteja a pensar gastar uma fortuna num pavilhão multiusos, só porque a Batalha tem um. Já tentaram saber como eles o têm ocupado? Pelo que sei, em “raves”, provocando desacatos e desordem pública. É isto que queremos na vila?
O mesmo se passa com a antiga Central Termoeléctrica, que no estado de degradação em que está, é mais uma obra de custos elevadíssimos (2,5 milhões de euros), e que vai ter salas com taxas de ocupação baixíssimas, não esquecendo também, o cine teatro de Mira d’Aire que são mais 2 milhões de euros.
A vaidade não é motivo suficiente.
Procuremos bons exemplos. O concelho de Montemor-o-Velho está a construir um parque tecnológico, que vai custar 3,5 milhões de euros. Mas já tem investimento garantido de 200 milhões de euros, que vai implicar a criação de 200 postos de trabalho directos. As empresas alvo são todas elas de tecnologia de ponta e criação de valor, nada de comércio e de indústrias tradicionais.
Porto de Mós, que tem próximo de si o Instituto Politécnico de Leiria e o Centimfe (Centro tecnológico Marinha Grande), por exemplo, que estratégia tem para o seu parque industrial? O que tem para oferecer aos investidores? Que contactos tem com a API? Que “lobbies” políticos é que tem o Presidente da Câmara no governo do Eng. Sócrates? Há mais alguma coisa a oferecer além de terrenos?
Porto de Mós tem condições para receber jovens casais da classe média e alta que queiram viver no Concelho. Temos uma grande beleza natural, gente boa e um baixo índice de criminalidade (factor de decisão determinante), e que mais? Que acessos temos aos grandes eixos rodoviários? Que escolas temos para os seus filhos? Além do ponto de turismo, que é muito pouco, existem zonas de acesso livre à Internet em espaços públicos? Se quisermos captar investimento e pessoas temos de ser inovadores.
As pessoas que gerem o Concelho não podem gastar as suas energias sempre a falar do passado, ainda para mais quando fizeram parte desse passado de forma activa. Não podem passar a vida a ser “mestres-de-obras”; são demasiado caros para essas tarefas. Se não existe gente competente na Câmara para essas funções, arranjem-nas.
Mais que fazer balanços políticos, queremos saber em que termos o concelho é pensado. Perante isso avaliaremos as capacidades de quem gere a “coisa” pública.