Wednesday, July 23, 2008

O choque tecnológico ajuda os portugueses

O estado da economia portuguesa não se pode actualmente dissociar da situação económica do resto do mundo. E sublinho actualmente porque há dois anos estavamos para sair de crise e o resto da Europa estava a crescer, sendo que a nossa vizinha Espanha continuava a ser um caso exemplar. A forma adoptada para ‘corrigir’ os excessos do passado já foram aqui debatidos e de facto o resultado está à vista. As figas do Primeiro Ministro não foram suficientes e quando, segundo nos dizem, estavamos em condições de sair da crise continuamos na mesma mas agora bem pior.

Quando os fundos europeus estão quase a terminar regressa a questão que se colocou no fim de ciclo da expansão ultramarina. Para onde foram os milhões que recebemos? Entraram na economia e mais ou menos rapidamente tornaram-se rendimento disponível na mão dos consumidores. Foram gastos ou investidos? Demasiados milhões foram gastos e assim esgotaram rapidamente o seu efeito multiplicador de riqueza. Durante mais de uma década a massa monetária da nossa economia cresceu sem que esse crescimento fosse acompanhado por um ciclo inflacionista e houve dinheiro nos bolsos dos portugueses como não havia há muito. Em pouco tempo o acesso a bens de consumo como automóveis, habitação e respectivo recheio, etc, elevou os indíces de qualidade de vida a níveis inéditos. Ao mesmo tempo o endividamento subiu extraordinariamente e encontrando-se agora no seu máximo de sempre deixa de poder aumentar o que limita o consumo e reforça o efeito desacelarador da economia.

E o que é ficou de tudo isso? Os automóveis foram importados e o respectivo valor seguiu para os países de origem, o recheio das habitações que em percentagem significativa foi igualmente importado e seguiu o mesmo caminho. Ficou apenas uma poupança de valor negativo.

É claro que existem alguns sectores onde se cria valor acrescentado e que assim retem riqueza na economia, mas no todo do nosso tecido económico esta balança de valor acrescentado, chamemos-lhe assim, é deficitária. Falta a tal formação de quadros, de empresas e de pessoas criativas que potenciem a atracção de receitas do exterior. O cenário da educação, chave para a inversão de ciclo na tal balança de valor acrescentado deficitária, também não é animador. O Turismo contraria este efeito mas não tem dimensão suficiente.

As obras de fachada realizadas pelas autraquias por esse país fora enquadram-se na despesa sem retorno financeiro, sendo que única contrapartida que têm é a satisfação que geram na sua inauguração e os dividendos eleitorais a ela associados.

A profunda crise de todo o modelo estado-cêntrico que resultou do 25 de Abril é inegável. António Barreto, sociólogo conceituado, alerta para os riscos de implosão social associada à mentira e à ocultação da realidade pela classe política. Assim já não é só Medina Carreira a deixar os políticos indispostos.

Completamente fora desta realidade o Eng. Socrates acena ao país com o choque tecnológico que segundo a capa do DN de Domingo mostra que já serve para alguma coisa.

 

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Friday, March 14, 2008

O Plano Attali

O ex-assessor de Francois Mitterrand, Jacques Attali, está a preparar um estudo a pedido do actual Presidente Sarkozy. Este estudo tem como objectivo liberalizar a economia francesa.

A necessidade de liberalizar uma economia, para alguns pensadores de esquerda, funciona como prova inequívoca da existência da maldade humana. Mas acontece que já houve quem notasse que existe uma correlação positiva, calculada em +0,83, entre o facto de os países mais ricos do mundo serem também os mais livres economicamente.

Assim, o socialista Sr. Attali pretende identificar restrições à liberdade económica para que estas sejam removidas. Pelo lado da Presidência existe o compromisso de que “o que propuserem, faremos”.

Alguns dos pontos em análise:

Imigração – Sim, desde que selectiva. Deve permitir-se a reunificação familiar. É um caminho  para o rejuvenescimento da população e o preenchimento de de qualificações em falta. O estudo aponta para que cada 50 mil novos emigrantes corresponda um aumento de 0,1% do PIB.

Sobre este ponto acrescento apenas que ao se permitir a reunificação familiar de emigrantes, além de estabilizar socialmente este sector da população, reduz-se significativamente as transferências de capitais para os seus países de origem. Ainda sobre o rácio novos emigrantes/aumento do PIB o mesmo aplica-se ao regresso de portugueses emigrados. Imagine-se o impacto económico do regresso dos portugueses que trabalham no estrangeiro. Calculam-se em cinco milhões, mas mesmo que regressasse apenas um milhão tal corresponderia a um aumento de 2% do PIB. E é fácil de entender porquê. Só em venda e recuperação de habitações, o respectivo recheio, aquisição de veículos e de outros bens de consumo o impacto económico seria enorme. Sobre a isenção de impostos, lembro apenas que vivendo fora do país já estão isentos de pagar cá impostos, ou seja seria um grande passo para a dinamização da economia.

Administração Pública – Desburocratizar os serviços. O que o relatório aponta como maior necessidade é a redução de funcionários de ligação entre as Regiões e os Municípios.

Cá ainda se vive no paradigma de debater a Regionalização.

Preços – Aponta como necessidade a liberalização total, que passa pela eliminação das barreiras à entrada em determinados negócios.

Lembram-se da guerra de Sócrates contra as farmácias? Propaganda e barulho para que tudo fique na mesma.

Reformas - Adiar a idade da reforma e permitir que se trabalhe após essa idade. Permitir também que se acumule a reforma e salário.

Relação com as empresas – Recomenda a simplificação fiscal e contabilística, assim como ao Estado a pagar a 30 dias.

Em Portugal o prazo médio de pagamentos da Administração Central é de 153 dias e a Administração Local de 7 meses.

Mercado de Trabalho – Flexibilização das relações contratuais entre os patrões e os empregados.

Requisitos do estudo

- As medidas têm de ser tomadas todas em simultâneo e não a avulso, à la carte;
- As medidas têm de ser tomadas todas num curto espaço de tempo e não devagarinho. Recomenda-se que antes de Junho de 2009 tudo esteja em vigor.

Resultados esperados

– Aumento do poder de compra em 500€ por família;
– Cento e cinquenta mil novos empregos; redução do desemprego de 7,9% para 5%;
– Diminuição do nº de pobres de 7 para 3 milhões;
– Redução de 4 mil euros de dívida pública per capita.

Baseado num artigo do jornal Vida Económica

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Tuesday, March 4, 2008

O PPR Público

O Governo criou a última invenção do Sistema Financeiro Português, o PPR Público.

Portugal é um país onde se aceita, e até por vezes se exige, a intervenção do Estado em tudo.

Numa época em que todos sabemos que com alguma probabilidade a Segurança Social não conseguirá pagar as reformas das gerações que agora estão no activo, quis o destino que coubesse a um governo socialista esta ‘inovação’.

Esta solução é apresentada como um plano adicional de descontos a que corresponderá no futuro uma pensão superior, ou seja, um serviço premium. Fora do cenário a que me refiro no parágrafo anterior, estaríamos simplesmente perante mais um caso, bem normal na economia portuguesa, em que o estado faz concorrência às empresas a quem cobra impostos. Mas é mais do que isso. O PPR Público repete o que podemos chamar efeito ‘Correio Azul’. Lembram-se de há muitos anos as cartas do correio, de tarifa nacional única, serem entregues de um dia para o outro? Pois alguns anos mais tarde os CTT, perante um significativo aumento de cartas a distribuir e consequente aumento dos atrasos nas entregas criaram uma solução mais cara para algo que já tinham oferecido no passado e tinham deixado de poder assegurar. Exactamente o mesmo que se está a passar com o PPR Público.

Subscrever este serviço é apoiar a confirmação encapotada da incapacidade de solver responsabilidades futuras e concordar com um estado que concorre deslealmente com os agentes criadores de riqueza no mercado pois guarda para si condições excepcionais. Veja-se aqui alguns dos pontos reclamados pelas companhias de seguros, nomeadamente a exigência de provisões apenas aos privados e a impenhorabilidade do PPR Público.

A liberdade de escolha, expressão tão intensamente invocada quando se comemora o 25 de Abril ou se defende a IVG, quando toca à escolha do sistema de reforma privado ou público, fica na gaveta.

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Wednesday, January 23, 2008

É a economia, estúpido!

A economia, uma ciência menor para muitos, tem desde há muito tempo um papel determinante na evolução económica e social da humanidade. Nobel, quando criou o mais conhecido Prémio que pretende estimular a investigação científica e o avanço do conhecimento, entendeu que esta ciência merecia um lugar de pleno direito ao lado das mui nobres ciências da Física, Química, Literatura, Medicina e do bem precioso que é a Paz.

Os conhecimentos desta ciência permitem aos governos, na escala macro, e às empresas e pessoas na escala micro, optimizarem os seus recursos de forma a maximizar o seu bem estar. Os contributos para os avanços na humanidade têm sido tremendos. Muitas crises tem sido evitadas e o seu efeito minorado graças aos conhecimento dos ciclos económicos e à identificação das variáveis que os influenciam.

À escala global em que vivemos, numa economia aberta ao exterior e integrada num espaço de livre circulação de bens, pessoas e capitais, as variáveis realmente importantes, ou seja as que influenciam directamente o dia-a-dia do cidadão escaparam hà muito da mão de um Governo. Ao longo da integração europeia, o Estado Português abdicou da política monetária e cambial, dois dos mais eficazes instrumentos de controlo da economia. Ao fazê-lo os nossos governantes apostaram, e bem, que as vantagens obtidas seriam superiores à perda de soberania no controlo de variáveis como a taxa de juro ou taxas de câmbio. Se a nossa moeda continuasse a ser o escudo flutuando livremente no mercado cambial a nossa qualidade de vida estaria muito mais ameaçada. As vantagens de pertencermos a um mercado com a dimensão do da UE, num dos mais fortes blocos económicos do planeta, são enormes. Basta ver o efeito ‘travão’ que o euro forte tem tido na evolução dos preços dos combustíveis. Há um ano o crude negociava-se a 40USD o barril e agora ronda os 100USD, ou seja, tendo aumentado mais de 100% por cá o aumento é bem inferior.

No entanto, tendo uma economia aberta, Portugal encontra-se totalmente exposto às trubulências dos mercados internacionais. A crise dos mercados internacionais, nomeadamente a crise do mercado imobiliário norte-americano está a assombrar a economia europeia e como tal também a nossa. Além da possível desacelaração do crescimento económico na zona euro, que por si só seria suficiente para condicionar o crescimento do nosso PIB, Espanha, o nosso principal parceiro económico, poderá estar perante o rebentar de uma bolha especulativa no sector imobiliário. A confirmarem-se estes dois cenários o futuro adensa-se para Portugal.

Perante um Estado que consome um imensa fatia da riqueza criada no país, o equilíbrio orçamental a que nos obrigamos quando aderimos ao euro, só é possível com um claro crescimento económico que parece muito dificil de conseguir. Das únicas áreas de acção que dispõe, aumentar a receita ou reduzir a despesa, o Governo já esgotou a primeira restando-lhe assim apenas os cortes na dimensão do Estado.

Toda a propaganda a que temos assisitido seria coroada de êxito se variáveis que não dependem do Governo, preço do petróleo, evolução da relação USD/EUR e consequentes taxas de juro, evoluissem favoravelmente. Infelizmente para todos esta evolução é-nos desfavorável e da pior forma sublinha-se que a acção deste Governo não tem sido mais que exigir um esforço tremendo à economia, na forma de impostos, em vez de ‘emagrecer’ e com as poupanças obtidas na redução de desperdícios estimular o crescimento económico via investimento público. Em termos económicos o que tem sido feito em Portugal, exige que o Governo tome decisões fazendo figas por uma evolução favorável da economia internacional. E parece que as figas não serão suficientes para evitar um agravamento da situação.

Assim e em jeito de conclusão, pode dizer-se que a evolução desfavorável da economia não resulta de incapacidade da ciência económica em dar respostas, mas da incapacidade dos políticos em tomarem decisões racionais.

Posted by Paulo Sousa in 16:51:23 | Permalink | No Comments »

Wednesday, February 7, 2007

Dr. António Borges nas Cortes

Como foi o Jantar com o Dr. António Borges?

O Jantar com o Dr. António Borges, foi bastante interessante, como normalmente são os jantares organizados, pela Liga dos Amigos da Casa João Soares. Não nos esqueçamos que o próprio Dr. Mário Soares, convidou e incentivou o actual Presidente da República, a candidatar-se ao cargo, há uns 2 anos atrás, vindo depois a concorrer contra ele, com os resultados conhecidos.

O Dr. António Borges, explanou uma quantidade de ideias económicas que obrigam a opções políticas de fundo, que nós cá não gostamos de ouvir e muito menos de implementar.

Duas ou três notas que guardei de memória:

- Portugal é dominado política e economicamente, pelos decisores das Grandes Empresas.

- Os líderes destas empresas, são os mesmos há 30 anos, apesar de nem sempre terem sucesso.

- Se Portugal não estivesse entrado no Euro, estaríamos hoje, próximo da Bancarrota.

- O Plano Tecnológico era uma excelente ideia!

- As grandes Obras Públicas, como catalizadoras da economia, são um mito. Não posso deixar de contar a parte em que ele pedindo desculpa, deu de exemplo, do que não se deve fazer, os Estádios de Futebol, com a Srª Presidente da Câmara de Leiria ao lado!

No entanto, Fiquei com a nítida sensação, que tem razão, no que diz, mas que não terá grandes hipóteses de alguma vez aplicar, o que defendeu.

Posted by Luís Malhó in 22:10:55 | Permalink | Comments (4)

Monday, February 5, 2007

“dissonância cognitiva”

À contradição entre salários baixos e choque tecnológico, o ex-ministro Luís Campos e Cunha chama-lhe, “dissonância cognitiva”.

um abraço,

Posted by Pedro Oliveira in 18:16:30 | Permalink | Comments (1) »

Friday, December 8, 2006

Friedman e a Igualdade

Os princípios da doutrina de Friedman, pressupõem sempre o estímulo à iniciativa privada, à batalha pela excelência e ao reconhecimento do valor de cada um.
Cá entre nós, isso não é bem visto.
As políticas adoptadas desde o 25 de Abril em todas as áreas da intervenção do Estado, (educação, saúde, etc.) em vez de estimularem a excelência, a diferenciação dos melhores e o reconhecimento do mérito, levam a uma uniformização por baixo da sociedade.
As grandes conquistas das sociedades modernas cujas bases foram lançadas na Revolução Francesa, estão associadas à laicização dos estados, à conquistas dos direitos individuais, como o reconhecimento do direito à propriedade e à definição do papel do estado na sociedade. Foi no seu decurso foi lançado o sistema representativo, o regime constitucional e o sufrágio. O valores então defendidos foram “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”. Veja-se as faces nacionais das moedas francesas de 1€ e 2€ que ainda lá estão inscritos.
De todos estes princípios, sobre os quais não se discute o valor e a importância, é a questão da igualdade que, no meu entender, mais tem sido alterada ao longo da história.
Se o estado baseasse a sua acção num tratamento igual de todos os cidadãos, viveríamos numa sociedade totalmente diferente.
A título de exemplo as empresas que se dedicam ao comércio não sofreriam concorrência de vendedores ambulantes que fogem sistematicamente ao fisco e que aos lucros das suas vendas acrescentam o rendimento social de inserção (ex-rendimento mínimo garantido), que por sua vez é assegurado pelos impostos pagos pelas empresas que não fogem ao fisco. Onde é que está a igualdade de tratamento? Que mensagem subliminar passa quando isto é instituído? Que comportamento e atitude é que se estimula quando isto é normal? Estimula-se o trabalho, ou o não-trabalho?
[Nós temos um sistema (político) que aumenta impostos sobre o trabalho e subsidia o não-trabalho. - Friedman]
Os defensores deste sistema, que estimula a mediania, argumentam que este tratamento desigual, tem como objectivo uma igualdade de oportunidades que levará a uma verdadeira igualdade de todos os cidadãos a longo prazo.
Mas isso era também dito nas sociedades comunistas aos seus cidadãos para explicar os privilégios dos dirigentes. Lá também se dizia que o comunismo perfeito seria apenas atingido no longo prazo e o que então viviam era uma situação intermédia e transitória.
Mas como dizia Keynes, outro notável economista, “no longo prazo estamos todos mortos”. O sistema comunista não sobreviveu para ver o comunismo perfeito.
E o nosso, durará até que a igualdade seja realmente conseguida?
Na minha opinião enquanto não houver uma igualdade de obrigações para todos, estamos a escolher o caminho errado.

Posted by Paulo Sousa in 12:39:24 | Permalink | No Comments »

Wednesday, December 6, 2006

Friedman , o meu economista favorito

É verdade Pedro .

Relembrar a obra de Milton Friedman , notável Economista Norte Americano , significa repensar totalmente a forma de financiar a educação de um país. O cheque - educação atribuído às famílias pelo estado, foi pensado como uma forma eficaz do cidadão melhorar a escola, melhorar os resultados e reequacionar o binómio benefício privado - bem comum, uma relação que Friedman chamava de boa vizinhança . Mas estamos 50 anos atrasados. Esta teoria foi pensada por Friedman, nos anos 50 e publicada em 1962 -(Capitalism and Freedom) ( Capitalismo e liberdade )-. Em 1976 recebeu o prémio Nobel . Neste data, Portugal estava completamente mergulhado na Revolução que traria mais igualdade sem capitalismo . Aliás ainda hoje, esta palavra ( capitalismo) arrepia muita gente. Mais de 30 anos, em Portugal, nem cheque , nem dinheiro, nem direito a escolher, nem melhores resultados, nem nada. Apenas mais escola, com horas de ocupação das crianças de eficácia muito duvidosa, sem qualquer direito a opção. O direito de escolher a escola que melhor se adapte aos valores das famílias está apenas ao alcance de alguns. Este foi o maior embuste das teorias igualitárias; admitiram tornar igual o que é diferente. E agora como desmontar este equívoco ?

Posted by Ana Narciso in 22:41:54 | Permalink | Comments (1) »

Friday, November 17, 2006

Competitividade

O governo, decidiu aumentar o ordenado mínimo para os 400 euros, o que representa um aumento de 4,5 %, este aumento está acima da inflação.
A reacção dos “patrões”foi negativa, tendo como argumento a perca de competitividade das empresas Portuguesas.
O Dr. Nicolau Santos (Sub-director do Expresso), diz que mal vai uma empresa que não consegue gerar mais 150 euros anuais para satisfazer um aumento desta “grandeza”.

As empresas devem ou não rever os seus métodos e processos de trabalho, de forma a reduzir custos de produção, permitindo assim o aumento da produtividade, aumento dos salários e como consequência a motivação dos colaboradores?
São ou não, os aumentos salariais dos vencimentos mais baixos acima da inflação, motivo de perca de competitividade das empresas Portuguesas?

Qual é a sua opinião?

Posted by Pedro Oliveira in 11:00:23 | Permalink | Comments (10)

Tuesday, November 14, 2006

Qual é a nossa estratégia II?

Na última edição do Expresso, o Dr. Daniel Bessa congratula-se com o aparecimento de “novos” empresários no panorama industrial Português. Novos porque, são inovadores no produto que comercializam, porque são gestores com visão e querem ser lideres nas respectivas áreas, valorizando os seus recursos humanos por forma a serem os melhores. Lamentava-se, no entanto, que infelizmente, são ainda muito poucos. Os “velhos” representam ainda a grande maioria, empresários que continuam a apostar na mão-de-obra desqualificada, em produtos de pouco valor acrescentado e pior que isso, não investem nas empresas, mas sim neles próprios.
Um estudo de uma Universidade Americana, chegou à conclusão que os países que eram inovadores há 500 anos atrás, têm ainda hoje os benefícios desse investimento e, continuam hoje em dia, também inovadores. Vejam-se os exemplo da Inglaterra, da Alemanha e de França. O caso de Portugal é a excepção que confirma a regra, tendo como limitação os quase 50 anos de ditadura e outros 30 anos de Democracia, que ainda não proporcionaram o salto qualificativo, desejado em termos de inovação. Os EUA, são um caso à parte, pois nessa altura não existiam, ainda, como nação.
Ocorreu no final na semana em Lisboa, o Conselho da Globalização, onde as empresas estrangeiras convidadas geram um volume de negócios que representa 4 vezes o PIB de Portugal (exemplos da IBM e Google) e uma vez mais, veio a verificar-se que a nossa comunicação social preocupou-se mais em acidentes de viação e congressos partidários com o desfecho mais que sabido, enfim o normal. Normal também, a conclusão a que chegaram os representantes destas empresas. Para que Portugal não se afunde no abismo da Globalização tem de apostar na valorização das pessoas, ou seja, nos recursos que o país tem, já que não possui riquezas naturais.
A região de turismo de Lisboa, tem um plano estratégico, para que em 2010 seja visitada por 2,6 milhões de pessoas, a área abrangida por este plano vai de Setúbal a Leiria.
O que é que estes quatro casos têm a ver com a gestão camarária de Porto de Mós?
Tudo, direi eu! Pois se as empresas portugueses são geridas por portugueses, na sua esmagadora maioria, também o são as Autarquias, daí terem problemas semelhantes.
Muito se queixa o Presidente da Câmara, da fraca qualidade dos seus recursos humanos. Quais as acções que já se tomaram para os valorizar? Análise das necessidades reais de formação?
Porque não criar um Sistema de Gestão da Qualidade, devidamente Certificado?
Aqui imperam a normalização de procedimentos e a transparência dos métodos de trabalho, há indicadores, avaliações e auditorias periódicas, para que as regras sejam do conhecimento de todos e para todos.
Para as pessoas que vão passando pelos diversos pelouros, com rotinas diferentes, que ditam as regras, de acordo com as suas conveniências pessoais e têm por hábito passar uma borracha sobre o passado e começar novamente do zero, sempre que as “coisas” não são do seu agrado é sempre uma boa oportunidade para mostrar a sua boa vontade e empenho em mudar tudo.
Na área do turismo, que contactos tem a autarquia com a associação de comerciantes (se existe?) do Concelho e a região de turismo de Leiria-Fátima, para que Porto de Mós faça parte do roteiro das agências de turismo? Que ligações comuns existem entre os vários pontos turísticos do Concelho, como por exemplo, indumentária dos funcionários, documentação de divulgação e publicidade, centros de interpretação multimédia, etc, etc. A este propósito sugiro visita, ao museu do Funchal e às grutas de S. Vicente, também na Madeira, assim como à vizinha cidade da Corunha, onde estes centros de cultura e divulgação locais são pensados para o visitante.
Em relação à educação, que tipo de contactos existem com a PT, para promover e transformar as escolas do Concelho em escolas do futuro? As escolas digitais!
Sendo o Inglês uma ferramenta essencial no futuro dos jovens, que competências tem um clube de futebol para gerir tamanha responsabilidade no amanhã das crianças, em termos de competição profissional com os outros?

Na criação de empresas inovadoras no Concelho, porque não criar bolsas de estudo aos estudantes locais para lhes proporcionar a continuação dos seus estudos, principalmente aos excelentes, que não têm condições financeiras para suportar os custos inerentes a este investimento futuro. Acompanhar estes alunos e dar-lhes condições para serem empreendedores no Concelho assim que terminarem a sua formação académica.
Porto de Mós tem muitos emigrantes e respectivos descendentes espalhados pelos quatro cantos do mundo, muitos deles, empresários, professores e investigadores de sucesso. Essa gente não pode vir, a título de passagem, só para comprar rifas nas romarias de Verão, devem ser incentivadas para contribuir para o desenvolvimento e criar valor na sua terra natal. O que foi feito em relação a isto?
É evidente que, de tudo o que aqui falei, significa muito trabalho e implica que se passem menos horas a ver a construção de uma rotunda qualquer ou ainda a confirmar se o muro está “aprumado”. E não vale a pena pensar que as pessoas são estúpidas, porque são estas mesmas pessoas (muitas delas) que elegeram este executivo camarário nas últimas eleições. Há que pôr “mãos à obra”, deixar de ser geridos por “velhos” autarcas e apostar nos “novos”. O desafio é grande mas, dos fracos não reza a história.

Um abraço,

 

Posted by Pedro Oliveira in 10:45:34 | Permalink | Comments (2)