Porque é que os fabricantes de automóveis, detentores de tecnologia de ponta, não dissimulam os sensores de marcha atrás dos seus carros? A resposta é fácil. Porque não querem. Se este acessório não fosse visivél para todos quantos observam um carro seria menos atractivo para o seu proprietário.
Em Marketing a qualidade não basta ser efectiva, tem de ser perceptível.
E o que é isto tem a ver com Porto de Mós? Tem a ver porque não faz sentido que o site da Câmara Muncipal de Porto de Mós, tenha um link para um servidor da AMAE com toda a cartografia do território do concelho e respectiva classificação de acordo com o PDM, sem que isso seja objecto de divulgação. Esta funcionalidade é muito interessante e útil e entendo que todos os munícipes deveriam saber que é possível consultar as zonas para as quais podem ou não apresentar projectos de construção, sem que para isso tenham de se deslocar aos Paços do Concelho. Podem dizer-me que já há quem saba isto e utilize esta ferramenta, mas a sua divulgação não terá sido eficaz, pois encontrei-a por acaso.
Ao dar uma vista de olhos pelo PDM para a Freguesia do Juncal deparei-me com algo estranho.
E não querem ver que a Câmara Muncipal que, colocando na prática as competências que a lei lhe atribui na aprovação de projectos, está ela própria a violar o PDM. A imagem assinalada respeita à rotunda da Cruzinha, obra já aqui abordada, e como é claramente visível encontra-se totalmente dentro da Reserva Agrícola Nacional. Há dois pesos e duas medidas para o cumprimento do PDM? Como podem os cidadãos aceitar que sejam impedidos de construir dentro de povoações, muitas vezes em terrenos servidos com infra-estruturas que resultam de investimento público, quando o próprio regulador se está borrifando para a lei e constrói onde lhe dá na real gana?
Perante isto não posso terminar sem citar o Vice-Presidente da Câmara, Sr. Albino Januário na última edição d’O Portomosense: ”…bem sabe quanto pode custar ignorar as regras e as normas inerentes à boa gestão há muito consagradas em manuais que todos deveriam ler com atenção e praticar no seu dia a dia. Fazer tábua rasa dessa conduta, na ânsia de responder a impulsos e objectivos imediatos de justificação duvidosa, só pode conduzir a soluções difíceis e desagradáveis.”
Gostaria de ouvir o Sr. Albino Januário pronunciar-se sobre a rotunda em causa.