Sunday, January 21, 2007

Novamente a IVG

Todos concordamos que quer os partidários do Sim como os do Não concordam que a IVG levanta questões morais e éticas a quem seja confrontado com uma gravidez indesejada, assim como a toda a sociedade na sua regulação.
O universo de referências culturais é o mesmo de ambos os lados da barricada. Todos concordamos que a vida constitui algo de positivo e mexer nisso cria perturbação.
Nessa linha de raciocínio os partidários do Não sentirão um maior conforto moral na sua posição e pelo contrário, aos partidários do Sim cabe o papel mais difícil, que é argumentar, explicar e convencer os indecisos.
Peço por isso aos partidários do Sim que me ajudem a decidir.
Não acredito que nenhuma mulher que já tenha interrompido voluntariamente uma gravidez o tenha feito de ânimo leve. Não se faz um aborto como se muda de camisa. Sabemos que interromper uma gravidez é impedir que nasça mais uma pessoa, com todo o potencial que daí poderia advir.
Aceito que me digam que os valores da liberdade, que tanto prezamos, podem ser alargados também à possibilidade da mulher mandar no seu corpo. Aceito que me digam, o que nunca ouvi argumentar, que votar sim, não deve ser visto como uma posição exclusivamente individual mas como o aceitar, enquanto cidadão, que quem entender interromper uma gravidez o possa fazer em condições de segurança. Votar Sim não implica rejubilar por cada aborto que se faça, mas apenas deixar que as mulheres o possam decidir.
Mas votar Sim também pressupõe o reconhecimento de menos direitos ao feto de dez semanas, comparativamente com o feto de doze. Alguém me explica o critério?
Peço aos partidários do Sim que me ajudem a decidir.

Posted by Paulo Sousa in 21:12:54
Comments

5 Responses

  1. Paulo Sousa says:

    Viram as notícias na RTP?
    Em França, onde a IVG é permitida desde 1979, continuam a haver manifestações anuais contra a permissividade desta lei.
    Mesmo que cá o SIM seja o mais votado e que mais de 50% do eleitorado participe, não se pense que a questão ficará arrumada para sempre.

  2. Bom dia!
    Fazendo o pedido prévio de acreditarem que é sem qualquer interesse directo ou indirecto, religioso, político ou social, permito-me gostosamente responder à solicitação do Snr. Paulo Sousa, autor do Post que comento. Não tanto para o ajudar na decisão que deva tomar mas tão somente para sugerir que o faça em plena consciência, pesando os prós e/ou contras após uma necessária reflexão sem se deixar influenciar por argumentos estéreis e inconsequentes. Limitar-me-ei a dizer o que penso sem qualquer escondida intenção de “conduzir” qualquer voto. Assim, posso afirmar: Se a pergunta a referendar fosse: “Concorda ou apoia a IVG ou Aborto?” eu responderia sem hesitar: NÃO! Se a pergunta tivesse a seguinte redacção: “Concorda que a Mulher que se submeta à IVG ou Aborto sem indicação médica seja julgada judicialmente e punida?” A resposta continuaria a ser NÃO!
    Sendo a pergunta a referendar tal como está redigida, isto é, SE CONCORDO COM A DESPENALIZAÇÃO DO ABORTO ou da IVG, a minha resposta iniludível, reflectida e ponderada, será SIM!
    Minha justificação: Qualquer que seja o resultado do referendo, o ritmo das interrupções abortivas não alterará, pelo menos, de forma evidente, diferindo apenas na sua qualidade e legalidade. Por pessoas habilitados ou curiosas. A nível económico para o Estado, julgo que também não haverá grandes diferenças: O erário aplicado no Sector da Saúde (cuidados com a Parturiente) será poupado no Sector da Justiça (Despesas burocráticas e alimentação durante o cativeiro da Parturiente e da Parteira) Quanto à parte moral e social do resultado, deixo à consideração do votante! Termino afirmando: “-Não apoio a IVG ou Aborto mas repudio quem o puna”
    As melhores saudações

  3. Jaime Santos says:

    Neste blogue tenho o meu pensamento sucinto sobre a IVG.
    A sua consciência é o melhor caminho para decidir a 11 de fevereiro.
    Um abraço

  4. pedro oliveira says:

    Paulo, infelizmente a discussão sobre este assunto, foi para caminhos não desejados: comparação a enforcamentos, “excomungar” pessoas, vitórias políticas, impostos,etc,etc.

    O que está em causa é a DESPENALIZAÇÃO do aborto até ás 10 semanas (cientistas defendem que deveria ser até às 12,ou seja, até à formação do sistema nervoso central), e é sobre este aspecto em concreto que cada um de nós deve pensar antes do dia 11.

    Eu pessoalmente, tenho opinião que não se deve criminalizar o aborto até ás 10 semanas, por isso voto SIM.

    PS. Caso o NÃO vença, deixo uma sugestão: Levar a julgamento, também, os homens que engravidaram as mulheres que decidiram abortar…

  5. Paulo Sousa says:

    Já em período de reflexão ainda me arrisco a partilhar algumas reflexões avulsas:

    1- Se as estatísticas do número de abortos não estiverem inflacionadas, fazem-se em Portugal cerca de 20.000 abortos por ano. Considerando que há cerca de 100.000 nascimentos por ano, acho este valor muito exegerado. Mesmo muito exagerado. A alguma das partes (sim ou não) servirá o eventual exagero.

    2- Todas as mulheres que já interromperam voluntariamente uma gravidez, independentemente do motivo que as levou a fazê-lo, irão certamente votar sim. Conscientemente ou não acertam assim contas com a sua consciência. Quando o fizeram aos olhos da lei era um crime, mas agora (num cenário da liberalização avançar) já não é. A lei é que estava errada e não eu. É razoável.

Leave a Reply